Bola Oval com Garra e.. Dentes! - 31.05.2012

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Além dos sorrisos felizes das muitas centenas de jogadores que participarão do Torneio Touchdown IV, todos queremos que sejam sorrisos saudáveis.  Não é por nada que  o regulamento exige o uso de um protetor bucal. No entanto, há mais cuidados que valem a pena como podemos ler neste artigo do Dr. Ubiracy Lopes Evangelista, um cirurgião-dentista que é um reabilitador oral atuante em Odontologia Desportiva.    

A RELEVÂNCIA DA ODONTOLOGIA DESPORTIVA NA VIDA DO ATLETA

Riscos e Prevenção Encontraram-se estudos demonstrando a existência de diversas fraturas e lesões bucais ocasionadas pela prática esportiva. Assim, percebeu-se, também que extremamente importante a participação de um cirurgião-dentista em uma equipe esportiva. por fim, procurou-se expor ao leitor, um pouco do que vem a ser essa área da odontologia e seu campo de atuação. Em algumas ocasiões, pesquisadores da área médica-odontológica têm obtido preocupantes resultados ao procederem a análise da saúde bucal dos participantes das competições desportivas realizadas nos jogos olímpicos, promovidos pelo homem contemporâneo. Enquanto os atletas desses eventos demonstram um alto nível de desenvolvimento e condicionamento físico, a sua saúde bucal encontra-se igual ou inferior ao nível médio de saúde bucal da população. Dentre as diversas razões causadoras do fato acima exposto, pode-se destacar o custo financeiro da manutenção adequada da saúde bucal e a ausência de cuidados dentários diários não priorizados dentro do orçamento limitado do atleta. Enquanto alguns países ou federações possuem programas para assistir a saúde odontológica dos atletas, em muitos outros casos o atleta não possui nenhum seguro ou plano para ajudar a pagar pelos cuidados odontológicos. Outro motivo para essa negligencia, pode ser o fato de os atletas não serem corretamente instruídos sobre a importância da saúde dental em sua performance. Muitas pessoas tratam a Odontologia como se fosse um atrativo simplesmente estético e  não como uma alternativa de prevenção, correção e manutenção de sua saúde, tal como é a Medicina.  Elas procuram os consultórios odontológicos com o mesmo propósito que as levam a  um cabeleireiro, ou a uma manicure, por exemplo. O fato é que o cabelo somente influi na estética, diferentemente de um dente lesionado que, em certos casos  pode levar o paciente ao óbito. A boca é uma engrenagem perfeita, mas se sua estrutura estiver deficiente, ela não funcionará direito. A manutenção dos tecidos dentários e orais é essencial para garantir uma boa saúde para o corpo inteiro. Esse cuidado deve consistir em: check-ups e limpezas regulares; exames radiológicos para diagnósticos de cáries; dentes impactados; substituição de restaurações fraturadas ou que sofreram infiltrações; tratamento das cavidades ou outros problemas dentais; escovação diária e uso adequado do fio dental com uma pasta de dente apropriada; implantação, substituição ou restauração de todos os elementos dentários ausentes ou prejudicados  para se melhorar a estética e a funcionalidade oral. É necessária a avaliação de um cirurgião dentista, com visão esportiva para a obtenção de um melhor rendimento do atleta. Nas academias brasileiras, quase 90% dos profissionais de educação física orientadores cometem o erro gravíssimo de não exigirem uma avaliação odontológica,  preliminarmente ao início das atividades, afetando negativamente o rendimento físico dos atletas. A Odontologia Desportiva não é uma especialidade odontológica ligada à Educação Física, propriamente dita, mas sim uma área de atuação da própria Odontologia, independente dessa outra. Ela visa oferecer à população, cirurgiões-dentistas com visão esportiva, a fim de melhorar o rendimento dos atletas, promovendo a saúde bucal e prevenindo possíveis lesões, decorrentes das atividades desportivas. Por ter um enfoque multidisciplinar, ela reúne uma equipe de profissionais das mais diversas especialidades odontológicas, tais como: Periodontia (gengiva e estruturas de suporte dentário); Endodontia (tratamento de canais); Próteses e Implantes (reposição de dentes perdidos); Ortodontia/Ortopedia (correção de dentes mal posicionados e alterações ósseas); Cirurgia e Traumatologia bucomaxilofacial (traumatismos decorrentes da prática esportiva). Quem pratica esportes deve manter condições físicas adequadas para competir sem riscos de traumas ou diminuição do rendimento físico. Uma simples dor de dente, por mais sutil que seja, pode fazer a diferença em uma prova decisiva de natação, por exemplo. Isto porque a saúde da boca envolve mecanismos que abrangem várias funções do corpo, como a respiração e a circulação sangüínea. A grande diferença da Odontologia Desportiva para a convencional é que o profissional especialista em esporte conhece a cabeça do atleta. Muitas pessoas apresentam dores nas costas e o médico trata como problema muscular, sendo que a causa é odontológica. Neste caso, a pessoa não melhora e ela e o médico não entendem o porquê da não recuperação. Quando uma pessoa tem algum problema na boca, ela leva até duas vezes mais tempo para se recuperar, pois o sistema de defesa do organismo ficará dividido entre a lesão bucal e a física. Em muitos esportes de alto contato, as colisões com uma bola, vara, ou adversário são uma parte inevitável do jogo. Infelizmente, muitas dessas colisões podem resultar em lacerações, bem como fratura, avulsões ou dentes perdidos. Ao se discutir acerca da prevenção na Odontologia Desportiva, deve-se pensar nos protetores bucais para a prática de esportes. As modalidades de maior risco são os de contato, ou de impacto, tais como: boxe, judô, karatê, jiu-jitsu, luta greco-romana, sumô, futebol, basquetebol, voleibol, handebol, mountain bike, MotoCross, hóquei, patins, etc. Nestes esportes, as chances do atleta sofrer contusões orofaciais, durante a carreira variam de 33% a 56% (Associação Norte-Americana de Odontologia Desportiva, 2004) . Podem ocorrer choques, cabeçadas, cotoveladas, traumatismos crânios-faciais, fraturas nasais, ferimentos corto - contusos e lacerantes e, até mesmo, quedas acidentais, ou agressões físicas, como socos e pontapés. Existem três tipos de protetores bucais: os pré-fabricados (com tamanhos P, M e G), os termoplásticos (também pré-fabricados) e os confeccionados pelo dentista. Os dois primeiros não têm boa adaptação à arcada dentária, interferem na fala, na respiração e na tensão muscular do atleta, que morde e os aperta, constantemente, para que não saiam do lugar. O segundo leva o atleta a riscos de queimaduras na boca, pois é aplicado na pessoa, após ser tirado de imersão em água quente, para amolecer e melhor adaptar-se à arcada dentária. É o famoso “ferve e morde”. O terceiro tipo é definitivamente o melhor para o desempenho do atleta, pois é confeccionado após a moldagem da arcada dentária e é personalizado. Não atrapalha a respiração e permite ao atleta ingerir líquidos, sem retirá-lo da boca. Os protetores duram em média 1 ano, devem ser lavados com água corrente após o uso e armazenados em estojos próprios. Devem ser trocados nas crianças e adolescentes com certa regularidade, devido ao crescimento ósseo, ou sempre que o usuário apresentar alterações drásticas de peso. Os melhores protetores bucais são aqueles produzidos sob medida, pelo dentista. Além de proteger os dentes, os protetores bucais podem desempenhar um papel na diminuição da incidência e gravidade das concussões cerebrais. Absorvendo parte do impacto de um golpe de baixo para cima no maxilar, um protetor bucal pode reduzir a força destrutiva que resultaria numa concussão, por exemplo. Como esses ferimentos graves podem forçar um atleta uma aposentadoria precoce, é importante fazer todo o possível para evitá-los. Protetores bucais têm mostrado ser extremamente eficazes, na redução ou eliminação dessas lesões dolorosas e dispendiosas. Um protetor bucal apropriado, fabricado e instalado por um dentista, vai oferecer aos atletas a melhor combinação de conforto e proteção. A Tecnologia atual pode render um protetor bucal bem adaptado, fabricado por estratificação em finas camadas de material protetor que utilizam o calor e a pressão para que não interfira na fala, respiração, ou cause náuseas ao usuário. Existe hoje uma grande correlação entre a elevada porcentagem de crianças, jovens e adultos que participam de atividades esportivas organizadas e a prevalência de injúrias e traumas, decorrentes destas atividades. De acordo com as pesquisas efetuadas pela Associação Americana de Odontologia, houve uma redução significativa da incidência e gravidade de lesões associadas, quando um protetor bucal está sendo utilizado pelo participante. Os materiais dos protetores, por natureza, devem possuir qualidades de absorção de choque. Eles devem ser resistentes e ainda macios o suficiente para absorver a energia do impacto e reduzir as forças transmitidas. A espessura do material protetor  está diretamente relacionada à absorção de energia e inversamente relacionada às forças transmitidas em caso de colisão. No entanto, o conforto do usuário é também um fator importante na sua utilização. Protetores bucais mais grossos muitas vezes não são vantajosos para os usuários. No entanto, exitem alguns elementos básicos do projeto de fabricação que podem ser incluídos em quaisquer protetores bucais que possam melhorar seus aspectos potenciais de prevenção de traumas. Todos os protetores buacais devem apresentar uma espessura suficiente que deve abranger desde a superfície oclusal(linha horizontal mastigatória) até o fundo de vestíbulo(parte interna dos lábios) ou até onde o atleta possa tolerar. os protetores devem ter retenção adequada, construida neles para assegurar sua permanência no local, no momento do impacto. Os protetores não devem ser mais espessos na parte posterior, o que pode realmente forçar os condilos da mandíbula na fossa glenóide. todos os protetores bucais devem ser equilibrados, horizontalmente, para garantir uma distribuição uniforme da força por toda sua superfície É preciso planejar bem o tratamento do atleta, pois cuidados diferenciados devem ser tomados. Por exemplo: restaurações metálicas não são indicadas, por isso deve-se ter cautela na escolha do melhor procedimento terapêutico. A restauração metálica, por ser muito dura e resistente, pode levar à fratura de dentes, devido ao impacto sofrido durante a prática esportiva. Desta forma, recomenda-se a restauração em resina que, no impacto, é mais fácil de ser quebrada do que o dente. Já com os medicamentos, há que se ter cuidado para não interferirem no exame anti-doping. A atuação da Odontologia Desportiva no Brasil só tende a crescer, a exemplo do que já acontece nos Estados Unidos e na Europa. A tendência é que academias, clubes, federações esportivas e escolas passem a divulgar e a solicitar a necessidade de meios de proteção para a prática de esportes de uma maneira geral, quer seja dos seus associados, atletas ou alunos. Além disso, encaminhar o atleta/aluno/associado para um exame odontológico, a exemplo do que ocorre em relação à avaliação física, é uma prática prudentemente recomendável. Enfim, prevenir é o melhor remédio, pois é mais barato e muito mais saudável.   Imagens:
  • bira
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